02 Maio 2008

Acabou...?

Não adianta, não consigo mais me interessar pelo mundo blogosférico - pelo menos nesse momento.

Não é por que tenho muita coisa para fazer e não sobra tempo, mas simplesmente por que cansei, nada mais. Não tenho mais paciência para postar, corrigir erros, visitar outros blogs e esperar visistas no meu blog.
Sempre tentei possuir algum tipo de diferencial em relação aos outros blogs, pois via muito blog praticamente idêntico, comentando os mesmos filmes, a mesma proposta. Tentei criar uma identidade, não sei se consegui, falando de filmes não do "ultimo final de semana" - poxa, é uma avalanche de resenhas iguais quando sai um blockbuster - mas de obras interessantes de se conhecer e assim elaborar resenhas que fizessem alguns links com questões mais urgentes.
Não desmereço ninguém escrevendo, pois cada um tem sua proposta. Mas é uma reflexão: nunca perceberam que a maioria dos blogs é praticamente identico? Que só nos visitamos para receber visitas?
Parece que estou "cuspindo no prato que comi", como se diz popularmente, mas não me entendam assim.
Enfim, encerro meu mundo de 3 anos e meio no blogger e acho que li muita coisa boa e interessante, por isso, valeu a pena! São muitos parceiros para citar, por isso não seria legal tentar citar todos e esquecer de alguém.
Ah! Se der deêm uma olhada na postagem do dia 18/01/08 - considero esta meu melhor texto.
Um grande abraço e até um dia qualquer!

16 Abril 2008

Sem Explicações!

Não há explicações quando termina a sessão. Há apenas silêncio. O que se tem a declarar? Nada, simplesmente nada! E por que isso nos incomoda tanto...
Um filme que termina em si mesmo. Uma história. Um conto? Nada de pretensões filosóficas e clichês do tipo: "O diretor mostrou isso para dizer aquilo...".
Os irmãos simplesmente colocam uma situação X na tela. Mostram as pessoas envolvidas e quando a história termina essas pessoas saem de cena e as luzes da sala de cinema ascendem. Inicia e completa o ciclo dentro de duas horas. E para fazer isso tem que ter muito talento e saber de maneira inteligente conduzir um roteiro.
No final da sessão eu pensei: "Nada à declarar!"
AH!!!! um Capuccino muito, mas muito saboroso para o inverno que está começando!!!
Cotação:
PS. Eu tenho medo de Anton Chigurg...

10 Abril 2008

Traídos Pelo Desejo

É difícil falar de um filme que não possui um eixo temático do qual possamos comentar e realizar algumas observações. É com imensa dificuldade que escrevo sobre “Traídos Pelo Desejo”, um trabalho excepcional de Neil Jordan, mas que a bem da verdade não possui um tema central. Ou será que possui?

Pois bem, esse fator limita o filme em sua qualidade? É claro que não. Muito pelo contrário, abre horizontes e possibilidades que só são possíveis a grandes filmes – onde o espectador completa lacunas e descobre por si só, ou elabora sua própria história. O espectador sai da condição de sujeito passivo, que só recebe informações, para uma condição de espectador atuante frente à película.

Sinopse: IRA seqüestra um soldado inglês (Forest Whitaker), que desenvolve uma certa amizade pelo guerrilheiro (Stephen Rea) encarregado de vigiá-lo. Mas o soldado morre e o guerrilheiro vai comunicar sua morte à namorada do soldado, por quem acaba se apaixonando. Mas esta paixão lhe provocará um choque inesquecível, enquanto companheiros do IRA querem que ele participe de uma perigosa missãoÉ a partir dessa premissa aparentemente simples que o trabalho do diretor Jordan vai ganhando desdobramentos que no mínimo podem ser chamados de “estranhos”, “incomuns”. Afinal de contas, é uma história de amor, amizade, redenção ou política?

Acredito que cada espectador pode escolher uma dessas perspectivas (ou outras mais que podem surgir) e “ver” o filme por tal ponto de vista. Não gostaria aqui de dizer: “O filme fala sobre uma relação...”, pois iria de encontro com a maior qualidade que ele tem, que justamente é a possibilidade de interpretações distintas e consequentemente abordagens distintas em relação aos temas possivelmente tratados.
Claro que é preciso em alguns momentos conhecer um pouco a obra de Jordan para certos elementos fazerem sentido – em especial o filme “Monalisa” (1986), que pode ser pensado da mesma forma que esse seu “Traídos Pelo Desejo”, justamente por se tratar de um filme onde existem relações e desdobramentos também incomuns.

No quesito interpretação o resultado não poderia ter sido melhor. Começamos por um Stephen Rea que nunca esteve melhor em toda sua carreira (que contém cerca de 10 filmes em parceria com Jordan). Sua cara de “eterno cansaço” funciona de maneira extraordinária, dando um peso e uma dramaticidade ao personagem que não funcionária com qualquer ator. Sem falar que ele tem o “timming” certo para o papel, uma maneira de falar, olhar, que não conseguimos imaginar qualquer outro ator em tal atuação. As vezes que seu personagem Fergus é uma das melhores criações da década de 90, pois consegue transmitir uma intensidade dramática essencial para o filme.

Se Stephen Rea está excelente, é Jaye Davidson que tem a atuação acima de qualquer adjetivo positivo. Em uma atuação superlativa ela transforma o filme em algo “sublime”, em algo que transcende a tela e faz com que sua personagem adquira um encanto ímpar. Cheia de sensualidade ela consegue romper com o fato de ser um homem – a certa altura não há quem não se esqueça esse “detalhe” (que causou polêmica na época de seu lançamento).
Na época a Academia a indicou como “Melhor Ator Coadjuvante” – pois levou em consideração apenas o fato de possuir o órgão genital masculino, deixando evidente que os tiozinhos do Oscar nunca ouviram falar em questões de gênero... Enfim, Jaye deveria ser indicada na categoria feminina entre as coadjuvantes – onde com certeza não venceria, pois alguém consegue imaginar uma transexual ganhando o prêmio? Quem levou o Oscar de coadjuvante nesse ano foi Marisa Tomei por “Meu Primo Vinny” – que foi a maior azarona da década (ou será da história?) e nem de longe seria páreo para a interpretação dilacerante de Davidson. No final das contas o filme levou apenas o prêmio de melhor roteiro original – prêmio inquestionável.
Para encerrar e não ficar a sensação de que o texto está vago e que fiquei “em cima do muro”, deixo expresso minha opinião do assunto do filme, do que ele trata em minha opinião. Pontualmente: Uma profunda história de amizade que aos poucos vira uma história de amor e culmina em uma redenção ainda mais bizarra que a própria história de amor. Mas será que ele é um trabalho tão possível de ser resumido assim?

Uma passagem estranhamente cômica. Fergus está no carro com outro amigo ativista e este pergunta a Fergus
- Como é a garota que você está saindo?
- Mais incomum impossível... – responde Fergus.
Não seria este o espírito do filme, o fator “incomum”?

Traídos Pelo Desejo (The Crying Game, 1992) Direção: Neil Jordan Elenco: Stephen Rea, Jaye Davidson, Forest Withaker, Miranda Richardson, Jim Broadbent, Adrian Dunbar.

01 Abril 2008

Cafeteria - Março

Filme: Sangue Negro

A briga entre melhor filme foi bastante acirrada entre “Sangue Negro” e “Conduta de Risco” – ambos também concorrentes ao Oscar. O que o primeiro tem de grandiosidade o segundo de verborragia. A escolha seria nestes termos, porém ambos evidenciam um caráter de “tipo” de filme que remete a um cinema das antigas...

“Sangue Negro” remete a uma grandiosidade cinematográfica que tem como último “irmão” o filme de Scorsese “O Aviador”. São sempre tomadas grandes, com grandes paisagens – um filme que quase fala por suas imagens, e claro, olhares de Daniel Day Lewis. Enquanto isso, “Conduta de Risco” é aquele tipo de filme que se perdeu em algum momento dos anos 70, com muitos diálogos e trama intricada sobre alguma causa judicial que envolve acima de tudo “redenção” de alguma das partes (claro, em pleno ano 2000 o tipo de redenção já é bastante cínico).

Direção: P. T. Anderson



Quanto a direção não foi tão difícil – Paul Thomas Anderson realiza seu melhor trabalho, provando que não é um diretor apenas de “filmes corais”, que sabe fazer um cinema “convencional”, se é para colocar nesses termos. Sua habilidade de criar climas é algo excepcional e sem falar suas tiradas cínicas e um final que não podia ser mais genial.

Ator: Daniel Day Lewis



Existe algum questionamento sobre o prêmio ir para Daniel Day Lewis por "Sangue Negro"? Da lista de concorrentes ao Oscar só falta assistir ao trabalho de Viggo Mortensem, e nenhum dos outros concorrentes bateu a interpretação alucinante de Day Lewis. E o prêmio ainda vai em dose dupla, pois também assisti “Minha Adorável Lavanderia” seu primeiro trabalho de repercussão mundial.

Atriz: Annette Bening



Aqui a dúvida era entre Annette Bening por "Mrs. Harris" e Helena B. Carter por “Swenney Todd”. A primeira, pelo cinismo e insanidade que apresenta leva o prêmio. Mas não seriam estes também os adjetivos da atuação de Helena? Pois é, porém entre as duas acho que Benning leva vantagem pelo conjunto da obra.

Ator Coadjuvante: Tom Wilkinson



Se tivesse mais tempo em cena com certeza Tom Wilkinson levaria mais prêmios para casa por sua atuação em “Conduta de Risco”. Seu personagem parece ser o alter-ego justamente do...público. Ele representa o que gostaríamos que acontecesse com essas grandes representações, que elas fossem desmascaradas por alguém – que por fazer isso seria considerado um lunático. Seus diálogos são preciosos e seu desembaraço frente a cenas fortes é um ponto muito positivo. É um grande ator e aqui parece alcançar o melhor momento de sua carreira.

Atriz Coadjuvante: Tilda Swinton



Aqui também, alguma dúvida em premiar Tilda Swinton em "Conduta de Risco"? Acredito que ela não teve muitas concorrentes nesse mês, por isso a vitória fácil. Porém, tenho uma esperança muito grande em achar que Cate Blanchet foi injustiçada no Oscar... rsrsrs (só porque sou muito fã de Bob Dylan!)
Cafeteria de Março:
- Sangue Negro / Conduta de Risco
Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5 - Ran / Swenney Todd
Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5 - Rocky Horror Picture Show / O Assassinato de Jasse James pelo covarde Robert Ford
Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5 - Nascidos em Bordéis / Minha Adorável Lavanderia / Across The Universe
Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5 - Videodrome / Batismo de Sangue / A Sete Palmos (4 Temporada) / Mrs. Harris / Videodrome
Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5 - Auto Focus / Mary Poppins / No Vale das Sombras
Cotação do Café de 0 a 5Cotação do Café de 0 a 5 - A Ilha do Dr. Moreau
Xícara Vazia: No Vale das Sombras
Cotação da Xícara Vazia
Será que agora todo mundo se convenceu, finalmente, que Paul Higgis é um diretor péssimo? Se em "Crash" só faltou entregar um folheto nofinal do filme escrito: "Por Favor, não seja racista!", agora em "No Vale das Sombras" ele consegue retroceder no tempo e fazer um filme onde o personagem principal é o patriotismo americano que tem como par romântico a bandeira estadunidense.
No mês passado mais de 60 filmes, agora volta as aulas e volta da namorada caiu para....19 apenas. E tudo voltou ao normal!

24 Março 2008

Década de 90 (continuação)

Seguindo as justificativas depois de um período ausente....
Forrest Gump
Forrest Gump – As vezes penso que esse efetivamente, ao lado de Pulp Fiction, é o trabalho mais marcante no imaginário popular dos anos 90. Será? Mas enfim, suas qualidades vão muito além de ter se tornado um blockbuster por excelência, pois só isso não daria tamanha qualidade a película. Mas o que faz de “Forrest Gump” um clássico da década? Os motivo são muitos, porém eu gostar de pensar que o melhor deles é o fato dele ser um verdadeiro épico moderno. Ele tem toda uma estrutura narrativa de filmes épicos, que abrangem períodos enormes e mostram o personagem principal em várias fases de sua vida. O diferencial que aqui o tem anão era “de época” no sentido estrito do termo – muito pelo contrário, pois se trata de uma história que conta passagens recentes da vida americana. Dessa forma, Gump resgata um sabor de filmes de época... Claro, mas há muito mais: um Tom Hanks que nunca esteve tão carismático em toda sua carreira; Gary Sínese excelente e também em seu melhor momento; efeitos especiais que conseguem fazer com que o filem cresça ainda mais em sua estrutura narrativa e não o torne só mais um trabalho atolado de efeitos. E claro, uma direção magistral de Zemeckis, que conseguiu dar um equilíbrio impressionante ao filme, indo do riso ao choro em segundos, e com isso fazendo com que ele seja ainda melhor. Enfim, um filem que tinha absolutamente tudo para dar certo... e deu!
Violência Gratuita:
Acredito que pelos comentários feitos poucas pessoas assistiram esse filme (daquelas que freqüentam o blog), por isso não vou me estender muito aqui para não parecer chato. Michael Haneke está fazendo a “versão americana” de seu próprio filme – o que fez com que o diretor perdesse pontos no meu conceito – mas são escolhas... De forma geral o filme se passa com um casal e seu filho que vão passar o final de semana na casa de campo. De repente eles recebem inesperada de dois vizinhos que só querem dar um oi. Pronto, começa aí uma onda de violência que deixa qualquer um horrorizado com tamanha barbárie que acontece com esse casal. É um a violência ininterrupta, onde testa os limites de cada espectador. E sobre o que o filme fala? Bem, sobre o poder da televisão na vida moderna e o quanto a violência, através da televisão, entrou na nossa vida, fazendo com que nós aceitemos limites sobre humanos de violência e ache “normal”. Este é um filme que só vendo mesmo para se tornar claro as suas intenções e sua crítica inteligentíssima ao sistema televisivo dos anos 90.
Retorno a Howrd's End:
Este trabalho de James Ivory marcou de forma profunda os anos 90, pois foi o filme que “abriu as portas” para uma profusão de outras adaptações de época inglesa. E justamente por ser a primeira produção que ganha destaque na década, pois fez reviver um estilo de filme que desde os anos 60 estava adormecido – os romances épicos – que se encaixa nessa lista. Tenho um apreço muito grande por esse filme no sentido de conseguir arrancar interpretações brilhantes de seu elenco assim como ser um deleite para os olhos no sentido da direção de arte bem como trilhas sonoras muito bem elaboradas. Emma Thompson tem uma das melhores interpretações da década nesta produção e de forma muito merecida levou seu primeiro Oscar para casa. Além de sua atuação também é possível assistir um banho de Vanessa Redgrave em seu último grande papel – mesmo que seja em uma pequena participação os seus momentos em tela são de uma “coisa impressionante”, e que fazem durar pelas quase duas horas e meia de filme.
Procura-se Amy:
Sabe aquele filme que você cria uma simpatia impressionante? Que por semanas você fica pensando nele e conseguindo relacioná-lo com a sua própria vida, como se ele lhe apontasse soluções e lhe tirasse uma série de “encanações”? Pois é, “Procura-se Amy” justamente tem essa relevância para mim. É um filme simples, feito de forma independente, porém tratando de um assunto bastante pertinente para quem está se relacionando com alguém, ou pretende... É um filme jovem, com um frescor de juventude anos 90, mas nem por isso imbecil como tantos outros exemplares que abordam a mesma temática e se dizem “retrato de uma época”. Pode m ser justificativas fracas, mas mesmo assim continuo dizendo: ele é o filme que me conquistou de forma que as vezes nem eu sei explicar direito.
Beleza Americana:
Encerrou-se a década de 90 da melhor forma possível com este trabalho surpreendentemente original de Sam Mendes. A década terminou com uma crítica feroz ao modo de vida americano, a crítica do homem comum que se vê preso numa teia onde ele tem que ser um campeão em tudo que deseja. A partir de um microcosmos familiar a crítica se expande para toda sociedade americana – põe o dedo na ferida, é um filme nevrálgico (como diria um professor meu), que consegue ser extremamente cínico e debochado (mais um ponto muito alto) com esse mundinho ianque. Joga por terra toda imagem de sucesso familiar, e consegue entregar um herói para a década: Lester Burham. O homem comum que sai de sua vidinha mais ou menos para se tornar um homem “de verdade” (rsrs) – um cara que agora quer aproveitar a vida de verdade, jogando todas convenções por terra. Um cara que começa a fazer o que sempre quis: aproveitar a vida da melhor maneira possível. Claro, junto com isso veio uma das melhores atuações da década com o talento inquestionável de Kevin Spacey. Meu herói predileto da década. Ou seria anti-herói? Aí é com cada um...
Magnólia:
Magnólia consegue fazer qualquer um quebrar a cabeça e pensar “o que raios é aquela chuva maluca?” Enfim, ele é muito mais que isso, ele é em minha concepção um verdadeiro exercício de humanidade. Um trabalho que ultrapassa as barreiras da tela e literalmente faz com que ao sairmos na rua olhemos par a ao lado e de alguma forma nos sintamos conectados com a pessoa mais estranha que cruzar nosso caminho. Um filme que faz com que acreditemos que as coisas impossíveis de acontecer acontecem justamente todo dia, onde nada é tão por caso assim, e que tudo simplesmente nada mais é que... a vida que segue.
Matrix:
Matrix pode não ser um filme cabeça – mas vamos dar o braço a torcer e considerar que ele joga na tela várias questões interessantes sobre a vida “moderna”. O problema todo foi que se descobriu em suas continuações que na realidade era um grande saco vazio. Mas enfim, por que ele está na lista? Ora bolas, talvez seja essa a resposta mais curta e grossa de todas: Alguém imagina o cinema de ação que temos hoje se não existisse Matrix no final da década? Ele revolucionou o que temos em torno desse filão. É antes e depois de Matrix. Os efeitos especiais são copiados a exaustão e todo filme de ação que se preze tem seu momento Matrix. Uma revolução dentro do cinema. Simples assim...
Fargo:
Elogiar os Irmãos Coen é fácil, ainda mais depois do Oscar. É até clichê. Por isso não me alargo aqui e digo que com este filme os anos 90 ganharam sua melhor comédia de humor negro. Alguém questiona isso? Se sim, por favor, procurem Marge Gunderson (caipira e gravidissíma) para acertarem as contas.
SÓ FALTOU “TRAÍDOS PELO DESEJO” – ESSE GANHARÁ UM POST SÓ DELE, POIS ACABEI ESCREVENDO MAIS QUE A CONTA.

12 Março 2008

As justificativas - Vol. 1

O Silêncios dos Inocentes (1991)

De maneira rápida e rasteira ele está nessa lista simplesmente por que entregou o vilão mais espetacularmente pensado do cinema. É impossível comparar Hannibal Lecter com qualquer outro personagem que represente o “mal”. Alguns dizem que Darth Vader é “mais memorável”, porém não concordo com isso. Por que? Ora, este segunda parece saído de uma história em quadrinhos, enquanto Lecter é o vilão do dia-dia, aquele que você pode encontrar em uma sala de jantar.

Lecter é de uma humanidade tão crua que só restou para sua pessoa devorar – no sentido literário do termo – seus semelhantes. Um ser humano que é capaz de entrar na cabeça de outro ser humano, de desvendar as complexidades de cada um. Julgar ele como um monstro é ser tão raso, pois ele é uma profundidade absurda – e quase impossível de descrever, pois um olhar seu diz muito mais que milhares de linhas. Enfim, esse é um motivo que por si só já vale a citação na lista dos filmes mais influentes dos anos 90. Claro, ainda temos uma Jodie Foster que brilha como uma heroína que mantém uma relação de ambigüidade mórbida com o doutor Lecter - outro fator interessante da película, pois aponta pára duas interpretações 1) sua relação com ele é de pai/filha 2) a relação dos dois está pautada por uma tensão sexual psicanalítica de superioridade, onde Lecter representa para Clarice Starling aquilo que ela sempre procurou. Me arrisco a dizer que este filme tem o roteiro mais bem escrito da década, será?

- O maior vilão do cinema
- Um roteiro excepcional, superlativo.
- Um duelo de interpretação memorável

Carlota Joaquina (1995)

Afinal, o que “Carlota Joaquina” faz na lista? Meu argumento é que – isso até é meio clichê – o cinema nacional só ganhou fôlego depois dessa obra de Carla Camuratti. Acho que de forma muito justa ele recebe o título de o filme da “retomada”, pois depois de uma era Collor onde o cinema foi jogado para o banco de reservas no quesito investimento e apoio do Estado, “Carlota” veio com tudo e mostrou que com seu grande público alcançado na época o brasileiro ainda estava interessado em sua própria industria de cinema, e que só faltava era investimento.

Ele é um filme marcante no cinema nacional e conseqüentemente da década de 90 para qualquer brasileiro. Não consigo vislumbrar que estaríamos tão bem em termos de cinema nesse momento se lá nos idos de 1995 esse filme não obtivesse a projeção que alcançou. Em termos de cinema, foi feito com poucos recursos, mas soube driblar esse fator tão bem que nem percebemos suas carências nas reconstituições de época. Mesmo que escassos recursos não o coloquem na categoria filme “luxuoso”, o melhor de tudo estão na interpretação marcante de Marieta Severo como a personagem título, ela e seu bigode marcam qualquer um! Sem falar na coadjuvação ímpar de Marco Nanini como o glutão Dom João.
Acho que ele constará na lista de poucas pessoas, porém na minha ele tem uma relevância muito grande, pois o considero o divisor de águas no cinema brasileiro moderno.

- A retomada fundamental do cinema brasileiro

Pulp Fiction (1994)

Acho que a escolha de “Pulp Fiction” é mais óbvia de todas e estaria ele em qualquer lista, por isso não é preciso muito para justificar sua presença aqui também.

Um filme que tem a genialidade principal no fato de possibilitar, ou mostrar, que o cinema independente americano existe e precisava apenas de mais repercussão. Depois de possibilitar uma maior visibilidade a esse filão de filmes independentes, “Pulp” tem a maestria de recuperar a carreira de John Travolta e mostrar um elenco que nunca esteve melhor – e acima de tudo estabelecer de forma muito concreta a estética POP dentro do cinema mundial. Uma estética que é a cara do moderno, onde o filme é recheado de frases de efeito, situações bizarras, personagens “cool’ e edição fora de ordem. E acima de tudo, tem o melhor retrato da modernidade, quando reveste de sério assuntos banais. Quem melhor exemplifica isso é o hilário personagem de Harvey Keitel, que é o espírito do filme e da estética POP.

Seu personagem é tido como o elemento mais inteligente do filme, “o cabeça”, o “mestre”, porém ele não faz nada além de colocar um cadáver na traseira de um carro e dar um banho de mangueira em Travolta e Samuel. Mas claro, ele faz isso cheio de pompa e estilo como se isso fosse muito difícil. Ou seja, o que vale é a embalagem, pois o conteúdo agente descarta!
É um típico trabalho que marca o cinema em “antes e depois” de... Alguém imagina o cinema atual sem o “efeito” Pulp Fiction e suas cenas que já se comprovaram clássicas?

- Modificou o cenário independente
- Criou a estética POP moderna (ou seria estilo?)
- Trilha sonora clássica

08 Março 2008

Minha década de 90

Fazer listas é sempre uma tarefa ingrata e as vezes até bem chatinha... mas resolvi fazer uma pequena nomeação dos filmes que a meu ver marcaram a "minha década" de 90. Minha década, pois esta é uma lista baseada naquelas películas quede alguma forma mantém um lugar especial na minha estante cinéfila.
Gosto de pensar que foi a década em que aprendi a gostar de cinema, ou melhor, que descobri a maravilha que é assistir um filme - e pouco a pouco fui me tornando um cinéfilo que não passa quase nenhum dia sem assistir um filme.
Bem, aqui vão os 12 filmes dos "meus" anos 90. Nas postagens seguintes vou fazendo pequenas resenhas de por que eles estão nessa lista. Serão 6 postagens (cada uma contendo dois filmes). Mas primeiro a pequena lista - que não está em ordem de "melhor", pois está em ordem aleatória (imagina, selecionar 12 já foi barra, imagina colocá-los em classificações...)


o silencio dos inocentes.jpg





No próximos posts as justificativas da presença de cada filme nessa lista.