
02 Maio 2008
Acabou...?
16 Abril 2008
Sem Explicações!


10 Abril 2008
Traídos Pelo Desejo

Sinopse: IRA seqüestra um soldado inglês (Forest Whitaker), que desenvolve uma certa amizade pelo guerrilheiro (Stephen Rea) encarregado de vigiá-lo. Mas o soldado morre e o guerrilheiro vai comunicar sua morte à namorada do soldado, por quem acaba se apaixonando. Mas esta paixão lhe provocará um choque inesquecível, enquanto companheiros do IRA querem que ele participe de uma perigosa missãoÉ a partir dessa premissa aparentemente simples que o trabalho do diretor Jordan vai ganhando desdobramentos que no mínimo podem ser chamados de “estranhos”, “incomuns”. Afinal de contas, é uma história de amor, amizade, redenção ou política?
Acredito que cada espectador pode escolher uma dessas perspectivas (ou outras mais que podem surgir) e “ver” o filme por tal ponto de vista. Não gostaria aqui de dizer: “O filme fala sobre uma relação...”, pois iria de encontro com a maior qualidade que ele tem, que justamente é a possibilidade de interpretações distintas e consequentemente abordagens distintas em relação aos temas possivelmente tratados.

No quesito interpretação o resultado não poderia ter sido melhor. Começamos por um Stephen Rea que nunca esteve melhor em toda sua carreira (que contém cerca de 10 filmes em parceria com Jordan). Sua cara de “eterno cansaço” funciona de maneira extraordinária, dando um peso e uma dramaticidade ao personagem que não funcionária com qualquer ator. Sem falar que ele tem o “timming” certo para o papel, uma maneira de falar, olhar, que não conseguimos imaginar qualquer outro ator em tal atuação. As vezes que seu personagem Fergus é uma das melhores criações da década de 90, pois consegue transmitir uma intensidade dramática essencial para o filme.
Se Stephen Rea está excelente, é Jaye Davidson que tem a atuação acima de qualquer adjetivo positivo. Em uma atuação superlativa ela transforma o filme em algo “sublime”, em algo que transcende a tela e faz com que sua personagem adquira um encanto ímpar. Cheia de sensualidade ela consegue romper com o fato de ser um homem – a certa altura não há quem não se esqueça esse “detalhe” (que causou polêmica na época de seu lançamento).
Na época a Academia a indicou como “Melhor Ator Coadjuvante” – pois levou em consideração apenas o fato de possuir o órgão genital masculino, deixando evidente que os tiozinhos do Oscar nunca ouviram falar em questões de gênero... Enfim, Jaye deveria ser indicada na categoria feminina entre as coadjuvantes – onde com certeza não venceria, pois alguém consegue imaginar uma transexual ganhando o prêmio? Quem levou o Oscar de coadjuvante nesse ano foi Marisa Tomei por “Meu Primo Vinny” – que foi a maior azarona da década (ou será da história?) e nem de longe seria páreo para a interpretação dilacerante de Davidson. No final das contas o filme levou apenas o prêmio de melhor roteiro original – prêmio inquestionável.
Uma passagem estranhamente cômica. Fergus está no carro com outro amigo ativista e este pergunta a Fergus
- Como é a garota que você está saindo?
- Mais incomum impossível... – responde Fergus.
Não seria este o espírito do filme, o fator “incomum”?
Traídos Pelo Desejo (The Crying Game, 1992) Direção: Neil Jordan Elenco: Stephen Rea, Jaye Davidson, Forest Withaker, Miranda Richardson, Jim Broadbent, Adrian Dunbar.

01 Abril 2008
Cafeteria - Março

“Sangue Negro” remete a uma grandiosidade cinematográfica que tem como último “irmão” o filme de Scorsese “O Aviador”. São sempre tomadas grandes, com grandes paisagens – um filme que quase fala por suas imagens, e claro, olhares de Daniel Day Lewis. Enquanto isso, “Conduta de Risco” é aquele tipo de filme que se perdeu em algum momento dos anos 70, com muitos diálogos e trama intricada sobre alguma causa judicial que envolve acima de tudo “redenção” de alguma das partes (claro, em pleno ano 2000 o tipo de redenção já é bastante cínico).
Direção: P. T. Anderson

Ator: Daniel Day Lewis

Atriz: Annette Bening

Ator Coadjuvante: Tom Wilkinson

Atriz Coadjuvante: Tilda Swinton

- Sangue Negro / Conduta de Risco



- Ran / Swenney Todd 


- Rocky Horror Picture Show / O Assassinato de Jasse James pelo covarde Robert Ford


- Nascidos em Bordéis / Minha Adorável Lavanderia / Across The Universe

- Videodrome / Batismo de Sangue / A Sete Palmos (4 Temporada) / Mrs. Harris / Videodrome 

- Auto Focus / Mary Poppins / No Vale das Sombras
- A Ilha do Dr. Moreau

24 Março 2008
Década de 90 (continuação)
12 Março 2008
As justificativas - Vol. 1

De maneira rápida e rasteira ele está nessa lista simplesmente por que entregou o vilão mais espetacularmente pensado do cinema. É impossível comparar Hannibal Lecter com qualquer outro personagem que represente o “mal”. Alguns dizem que Darth Vader é “mais memorável”, porém não concordo com isso. Por que? Ora, este segunda parece saído de uma história em quadrinhos, enquanto Lecter é o vilão do dia-dia, aquele que você pode encontrar em uma sala de jantar.
Lecter é de uma humanidade tão crua que só restou para sua pessoa devorar – no sentido literário do termo – seus semelhantes. Um ser humano que é capaz de entrar na cabeça de outro ser humano, de desvendar as complexidades de cada um. Julgar ele como um monstro é ser tão raso, pois ele é uma profundidade absurda – e quase impossível de descrever, pois um olhar seu diz muito mais que milhares de linhas. Enfim, esse é um motivo que por si só já vale a citação na lista dos filmes mais influentes dos anos 90. Claro, ainda temos uma Jodie Foster que brilha como uma heroína que mantém uma relação de ambigüidade mórbida com o doutor Lecter - outro fator interessante da película, pois aponta pára duas interpretações 1) sua relação com ele é de pai/filha 2) a relação dos dois está pautada por uma tensão sexual psicanalítica de superioridade, onde Lecter representa para Clarice Starling aquilo que ela sempre procurou. Me arrisco a dizer que este filme tem o roteiro mais bem escrito da década, será?
- O maior vilão do cinema
- Um roteiro excepcional, superlativo.
- Um duelo de interpretação memorável
Carlota Joaquina (1995)

Afinal, o que “Carlota Joaquina” faz na lista? Meu argumento é que – isso até é meio clichê – o cinema nacional só ganhou fôlego depois dessa obra de Carla Camuratti. Acho que de forma muito justa ele recebe o título de o filme da “retomada”, pois depois de uma era Collor onde o cinema foi jogado para o banco de reservas no quesito investimento e apoio do Estado, “Carlota” veio com tudo e mostrou que com seu grande público alcançado na época o brasileiro ainda estava interessado em sua própria industria de cinema, e que só faltava era investimento.
Ele é um filme marcante no cinema nacional e conseqüentemente da década de 90 para qualquer brasileiro. Não consigo vislumbrar que estaríamos tão bem em termos de cinema nesse momento se lá nos idos de 1995 esse filme não obtivesse a projeção que alcançou. Em termos de cinema, foi feito com poucos recursos, mas soube driblar esse fator tão bem que nem percebemos suas carências nas reconstituições de época. Mesmo que escassos recursos não o coloquem na categoria filme “luxuoso”, o melhor de tudo estão na interpretação marcante de Marieta Severo como a personagem título, ela e seu bigode marcam qualquer um! Sem falar na coadjuvação ímpar de Marco Nanini como o glutão Dom João.
Acho que ele constará na lista de poucas pessoas, porém na minha ele tem uma relevância muito grande, pois o considero o divisor de águas no cinema brasileiro moderno.
- A retomada fundamental do cinema brasileiro
Pulp Fiction (1994)
Acho que a escolha de “Pulp Fiction” é mais óbvia de todas e estaria ele em qualquer lista, por isso não é preciso muito para justificar sua presença aqui também.
Um filme que tem a genialidade principal no fato de possibilitar, ou mostrar, que o cinema independente americano existe e precisava apenas de mais repercussão. Depois de possibilitar uma maior visibilidade a esse filão de filmes independentes, “Pulp” tem a maestria de recuperar a carreira de John Travolta e mostrar um elenco que nunca esteve melhor – e acima de tudo estabelecer de forma muito concreta a estética POP dentro do cinema mundial. Uma estética que é a cara do moderno, onde o filme é recheado de frases de efeito, situações bizarras, personagens “cool’ e edição fora de ordem. E acima de tudo, tem o melhor retrato da modernidade, quando reveste de sério assuntos banais. Quem melhor exemplifica isso é o hilário personagem de Harvey Keitel, que é o espírito do filme e da estética POP.
Seu personagem é tido como o elemento mais inteligente do filme, “o cabeça”, o “mestre”, porém ele não faz nada além de colocar um cadáver na traseira de um carro e dar um banho de mangueira em Travolta e Samuel. Mas claro, ele faz isso cheio de pompa e estilo como se isso fosse muito difícil. Ou seja, o que vale é a embalagem, pois o conteúdo agente descarta!
É um típico trabalho que marca o cinema em “antes e depois” de... Alguém imagina o cinema atual sem o “efeito” Pulp Fiction e suas cenas que já se comprovaram clássicas?
- Modificou o cenário independente
- Criou a estética POP moderna (ou seria estilo?)
- Trilha sonora clássica
08 Março 2008
Minha década de 90

No próximos posts as justificativas da presença de cada filme nessa lista.
